Vícios, como vencê-los?

Diante dos vícios existem os hábitos saudáveis como opção de mudança gradual. Hábitos saudáveis oferecem alternativas de liberdade e paz autêntica, ao invés de prisões invisíveis oferecidas pela dependência que, muitas vezes chegam, entram em nossas vidas, como se fossem brincadeiras, caminhos únicos ou os mais fáceis.

Falar em vícios é refletir sobre o nosso condicionamento psíquico e comportamental, podemos estar buscando e alimentando prazeres insustentáveis, ilusórios, falsos, equivocados, em desequilíbrio, ingenuamente ficamos presos a ciclos de autossabotagens, compensações, escapismos, carências afetivas, fugas inconsequentes etc.

O vício pode estar em jogos de azar, nas drogas lícitas ou ilícitas, em comportamentos preocupantes que geram dependência, tipo: alimentar-se exageradamente, trabalhar em excesso, praticar esporte em demasia, vida sexual compulsiva etc.

Os familiares, as pessoas mais próximas, são os que também sofrem os efeitos da dependência. Há escalas diferentes de problematização, os dramas possuem suas generalidades e especificidades. Por exemplo, os viciados em jogos de azar, geralmente comprometem as finanças familiares, além de outros derivados ruins.

Para a pessoa viciada, seja ela dependente contínua ou esporádica, um dos grandes desafios está em reconhecer sua própria dependência. Ou seja, é fundamental reconhecer o vício, o problema como real, caso contrário será praticamente em vão qualquer tentativa de libertar-se.

Vencendo seus vícios

Uma questão sutil, mas implicante para o dependente, está na fragilidade de sua liderança. Os viciados precisam concordar, aceitar que, mesmo a contragosto, na condição de não estarem bem e que precisam de ajuda, devem seguir, aceitar, compartilhar das orientações de quem está bem e não é dependente. Os viciados não devem se manter em sua total liberdade de escolhas, infelizmente. Enquanto viciado, diante das tentações de recaídas, as escolhas tornam-se suspeitas, dignas de revisão, de desconfianças e possíveis inverdades; não é por acaso que há clínicas de recuperação (via internação), e algumas são caríssimas.

Sozinho torna-se extremamente difícil libertar-se de um vício, demanda muito autocontrole e, na condição de viciado, a capacidade cognitiva não está lá em suas melhores condições de arbitragem, de vencer impulsos, superar medos e crises de abstinência, de trabalhar novos hábitos, crenças etc.

É importante o dependente/viciado aceitar, absorver, novos rumos internos e externos, e não insistir no que ele opta ou acha ser o melhor, regando suas raízes para o vício. Ele precisa compartilhar de suas angústias, escolhas, decisões, com pessoas que realmente querem ouvi-lo, vê-lo bem, que sentem consideração por ele, que o amam, que querem elevar a sua autoestima e, em muitos casos, também, a sua condição social.

A pessoa inflexível, que resiste ao tratamento, não aceita, não admite a dependência, dificulta muito a sua própria superação, a sua mudança de padrões internos, as recaídas se tornam mais prováveis. Com este perfil a pessoa pode causar maiores problemas, revoltando-se com os familiares e outras pessoas, justo as quais estão dispostas e aptas a ajudá-la.

O processo psicoterapêutico para o abandono do vício (prazer duvidoso de efeitos colaterais negativos, explícitos ou não), demanda vontade, compromisso, sinceridade, abertura, perseverança, autenticidade… A reaprendizagem interna envolve a autoimagem, seus valores, ideais, competência emocional etc. A família deve julgar menos para conseguir recuperar mais, reconhecendo ser este um processo de médio a longo prazo.

Concluindo: precisamos de uma consciência mais elaborada, menos incerta, em especial diante da dependência química (álcool, tabaco, maconha, cocaína, heroína, LSD, Crack etc.), resgatando o desenvolvimento emocional, seu autoconhecimento, o discernimento, sua melhor capacidade cognitiva. É justamente na adolescência que isso implica maiores responsabilidades, é nesta fase que precisamos de boas convicções, uma base saudável de quem somos e podemos nos tornar, assim decidiremos melhor sobre a liberdade em nossas mãos.

  • Adaptação do Texto: Geferson Oliveira
  • Autor: Alexandre Arrenius Elias
  • Psicoterapia para a Felicidade
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