Dor Existencial

Existir é coisa simples, fácil e óbvia para você? Pode ser que sim! Mas acredite: o desafio é existir com qualidade de vida (vida sustentável, com paz, equilíbrio, coerência, simplicidade, energia, livre de remédios). Evitar a
autossabotagem, os vícios, as espirais negativas, as manipulações… O saudável é buscar viver com satisfação, sem vitimismo, estafa ou depressão. Isso implica precisar enfrentar, ultrapassar, transcender algumas tendências, e a boa compreensão e boa vontade se tornam essenciais. Como disse Marie Curie, cientista polonesa (1867 – 1934): “nada na vida deve ser temido, somente compreendido. Agora é hora de compreendermos mais para temermos menos”.

Quero partilhar de Mharta Medeiros, escritora brasileira, um de seus belos textos, feitas as adaptações, segue: a dor nas costas vem das costas, a dor de estômago vem do estômago, a dor de cabeça vem da cabeça… E a sua
dor existencial, vem de onde? Ela vem da história que você meio que viveu, meio que criou… É sabido que contamos para nós mesmos uma narrativa que nem sempre bate com os fatos, incoerências existenciais! A nossa memória da infância, ou adolescência, está repleta de fantasias e leituras ingênuas, distorcidas da realidade mais ampla, e mesmo assim, torna-se a nossa história oficial, nossas convicções que decidimos oficializar e passar adiante, e disso resultam muitas fraudes emocionais, ilusões sentimentais, frustrações… Por que tornamos tão difícil sermos pessoas melhores?

Nossa dor existencial vem também do quanto levamos a sério o que dizem os outros; uma tolice, insanidade, pois quem é que realmente sabe a qualidade do que pensam os outros? E pensar no lugar dos outros tem limites, e sofremos por esses pensamentos imaginados, teorizados, pior ainda quando são especulações de fofoqueiros e noveleiros de plantão. Há ainda os religiosos que se isolam diante da hipocrisia de “salvarem-se”. A dor existencial geralmente deriva da compreensão limitada e aceita, da contínua transferência, descabida, de visões mal elaboradas e
sustentada por uma cultura que se nivela por baixo, infelizmente.

A dor é uma coisa real ou irreal…

Nossa dor existencial fixa-se em modelos líquidos e certos, regras seguidas sem questionamentos, a saber: é melhor seguir uma religião do que não seguir nenhuma, melhor nunca comer carne, melhor fazer faculdade de
medicina do que de hotelaria, namorar do que ficar sozinho, sair do que ficar em casa, ter filhos do que não ter, seguir meus pais apesar de todas as incoerências etc. E isso vai gerando pressões, distorções, repetitividades, situações desajustadas, brigas internas entre quem você é o que querem que você seja. Não existe lógica em só seguir a sedução contextual do mais fácil e simples, isso acaba sufocando um espaço sagrado para a construção da felicidade individual.

Como se não bastasse, nossa dor existencial vem também do que não foi propriamente uma escolha, tipo: sou muito baixinho, sou muito gordinha, meus cabelos são muito crespos, tenho que conviver com estes óculos, meus
dedos são tortos etc. Pela mediocridade isso pode se transformar em uma pergunta irrespondível: por que eu?! E na falta de boas respostas, sem a compreensão adequada e sensata, isso pode tornar-se uma cruz existencial.

Nossa dor existencial também pode derivar da quantidade de “nãos” que recebemos… Acreditamos ingenuamente que somos os “nãos” que já levamos: aquela proposta negada, o beijo recusado, o adiamento de nossos
sonhos etc. É sensato aceitar que não é regra do destino, algumas dúvidas e angústias, virarem traumas, dores existenciais, ou justificativas para não se buscar um sentido melhor e mais amplo para a vida.

Nossa dor existencial pode vir, também, do bebê bem tratado que fomos, nada nos faltava, éramos amamentados, tínhamos atenção especial, as fraldas trocadas, dormíamos nos braços de alguém; e depois criança, mimavam os nossos sonos e sonhos… Até que um dia crescemos e o mundo nos comunicou, esfregando na cara: agora, se vira meu bem! Injustiça, despreparo ou incompreensão? Nós não precisamos abandonar o espírito de criança diante dos desafios de sermos nós, pessoas adultas melhores.

A dor existencial pode sustentar-se na fixação no papel de vítima, na incompreensão dos absurdos sociais, na corrupção política, na inveja pelos mais favorecidos, na decepção por não nos amarem como esperávamos, pelo noticiário que tanto fala e não diz nada, na sensação que ninguém vai nos enxergar como realmente somos.

Dor de dente vem do dente, dor no joelho vem do joelho, dor nas juntas vem das juntas. Nossa dor existencial vem da existência mal compreendida, de potenciais subestimados ou negligenciados, que nenhum plano de saúde cobre, de tão difícil que é encontrar seu foco e sua cura. E ainda tem muita gente que não se importa com a consciência que lhe falta, por não fazer ideia do que seja existir de verdade.

  • Adaptação de Texto: Geferson Oliveira
  • Autor: Alexandre Arrenius Elias
  • Psicoterapia para a Felicidade

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